Carlos Paredes respirava através da sua guitarra, o pulsar do seu coração através das suas cordas. A magia instala-se a todos aqueles ao qual, aquele som, que tem uma vida, que tem uma história, arrebata. Por trás disto estava um homem humilde, com aquela ingenuidade de menino, com alma de compositor por detrás das radiografias diárias. Muitos ainda desconhecem a sua obra, pelas razões do costume.
Júlio Pomar, conhecia vagamente a sua obra pela proximidade que advém de outros pintores (e não só) que admiro, nomeadamente, Almada Negreiros. Tive a oportunidade de conhecer um pouco a sua pessoa através de uma entrevista radiofónica dada a Carlos Vaz Marques, na TSF (podcast "Pessoal e Transmissível") . Pessoa de grande vivência, grande riqueza interior mas também aquela honestidade de quem já não tem pachorra para grandes rodeios.
Destaque para a sua crítica ao pessimismo geneticamente português e por ter relembrado do alto dos seus 81 anos que na vida não há fórmula mágica para "coisíssima nenhuma".
Tem uma característica que me é comum, já que não gosta de se sentir aprisionado, ou melhor, obrigado a nada. Como ele diz: "Sempre que TENHO que, por uma razão ou outra, fazer alguma coisa, é fatal, inevitável que me apeteça outra".
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
A Dor
A nossa vida seria impossível sem a existência da Dor, seja ela física ou espiritual. A falta de Dor é uma barreira à criação do ser humano. Um escritor português, com a doença bipolar, disse numa entrevista que é nos momentos de crise emocional que escreve. Enúmeros exemplos destes são conhecidos. É nos momentos difíceis da nossa vida que crescemos interiormente e desenvolvemos as nossas capacidades. "Sangue, suor e lágrimas". E é quando a Dor se torna insuportável, que perdemos o medo, perdemos a vergonha, arriscamos, achamos que não há mais nada a perder e então descobrimos o caminho e acima de tudo reaparece a motivação e tudo ganha sentido. É nos momentos em que fugimos ou alienamo-nos da Dor que a vida fica mais pálida, os sonhos mais longe, a rotina comodamente mais certa. É destes momentos que nos devemos precaver. É o risco que corremos quando nos queremos integrar, pertencer ao grupo e agradar os outros, especialmente os que nos são mais próximos.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Portugal
Há dias, uma pessoa já na casa dos sessenta anos, bastante experiente e viajada, dizia-me que no estrangeiro a pessoa que mais dificulta ou, menos ajuda, o português, é o próprio... português. Isto fez-me pensar no valor que nós damos à nossa nacionalidade. Cheguei à conclusão que damos muito pouco valor e é também por isso que somos conhecidos pelos nossos "brandos costumes". Por muito que me custe dizer isso, os fascistas ao menos ainda exaltavam o valor da nossa história, da nossa cultura ou até do nosso hino. Parece-me muito estranho que num país com quase 900 anos de história exista tanto complexo pela nossa pátria. Em qualquer plano, seja político, social, económico ou até desportivo fazemo-nos pequenos com os outros e fazemos peito e desdenhamos dos nossos. É triste porque somos um povo inteligente, empreendedor e solidário - basta ver os inúmeros emigrantes com carreiras de sucesso - mas continuamos a utilizar pincéis fora de casa e picaretas dentro dela.
P.S.: Esta pessoa com quem falei é um empresário que comercializa produtos tradicionais em diversos materiais feitos à mão. Tentou vendê-los em Portugal mas nunca teve muito sucesso por isso dedicou-se à exportação. Ainda assim, os seus produtos podem ser vistos por todo o nosso país. Isto acontece porque uma empresa inglesa tem a exclusividade dos seus produtos e vende-os novamente para Portugal ao triplo do preço. Mas como vem de fora, o comerciante português já compra e nem regateia. Estúpido mas real.
P.S.: Esta pessoa com quem falei é um empresário que comercializa produtos tradicionais em diversos materiais feitos à mão. Tentou vendê-los em Portugal mas nunca teve muito sucesso por isso dedicou-se à exportação. Ainda assim, os seus produtos podem ser vistos por todo o nosso país. Isto acontece porque uma empresa inglesa tem a exclusividade dos seus produtos e vende-os novamente para Portugal ao triplo do preço. Mas como vem de fora, o comerciante português já compra e nem regateia. Estúpido mas real.
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